Histórias de tradutores: Herman Dalmatin

Conheça a história de Herman Dalmatin que trouxe à Europa inùmeras obras científicas e astronômicas árabes traduzindo-as para o espanhol.

Quem de nós pode se gabar em ser em seu tempo livre de ser: um astrônomo, astrólogo, matemático, escritor e filósofo? Esse era o caso de Herman. Herman, que tinha tantos nomes quanto talentos: Herman Dalmatin, conhecido como Scalvus Dalmata, Herman da Caríntia… ou como príncipe dos tradutores, eis sua história:

ANOS DE PRÁTICA: DA CROÁCIA AO ORIENTE MÉDIO VIA FRANÇA

Tudo começou na pacata costa da ilha de Istria, na pequena cidade de Corcula. Ou em Saint Peter im Holz, Caríntia, se preferir. Bom, é nesse (ou naquele), que o pequeno_______(escolha o nome de sua preferência) nasceu por volta do ano 1100. Enquanto ele hesitava entre a estabilidade de um emprego como salva-vidas e uma carreira lucrativa como jogador de polo aquático, seu pai o enviou para estudar na França. Ele estudou gramática, retórica e dialética, sob a direção de Thierry de Chartres, que conhecia a filosofia de Platão da mesma maneira que meu gato conhece a siesta, quer dizer, um especialista. Foi ali que Hermam conheceu Robert de Ketton, o homem que viraria seu melhor amigo. Juntos eles saíram em direção ao Oriente Médio. Foi uma viagem de descobertas: em quatro anos viajaram por todo o Império Bizantino, os estados latinos do leste e Damasco. Eles aprenderam idiomas e assim viraram tradutores (todo trabalho é válido). Mas naquele tempo o Eldorado para os tradutores árabe-latim e latim-árabe era a Espanha.

PRIMEIRO TRABALHO: A RECONQUISTA DA ESPANHA

Logo, eles comeram o último kebab e rumaram para a Espanha. Lá em 1142, enquanto eles passavam a noite discutindo astronomia em um bar de tapas, eles conheceram (provavelmente por acidente) Peter, o Venerável, diretor de uma agência de tradução, que disse a eles algo mais ou menos assim: “Eu tenho trabalho pra vocês. Estou organizando uma equipe pra uma tradução urgente de árabe pro latim.  Vocês trabalham com Trados ?” Ele pediram pro garçom outra rodada de sangria e apresentaram os dois ao resto da equipe: Peter de Toledo, Peter de Poitiers e um muçulmano chamado Muhammad. O resultado foi Corpus toledanum, que incluiu, além do Alcorão, textos islâmicos como Liber generationis Mahumet e Doctrina Mahumet. Essas traduções serviram de referência na área até o Renascimento (foram impressos em 1543 em Basel).

TRABALHO CIENTÍFICO: O RETORNO A FRANÇA

Depois desse intercâmbio estudantil na Espanha, Herman voltou a França. Era 1143, ele acabou fazendo o que todos os eternos estudantes acabam fazendo: virou professor. Entretanto, ele seguiu trabalhando como tradutor, dedicando-se a seus outros hobbies: astronomia, astrologia e filosofia. Ele traduziu os Elementos de Euclides, Planisphaerium e o Cânone de Ptolomeu, mas ficou mais conhecido por suas traduções de escritos científicos árabes. Um total de vinte trabalhos, incluindo uma tradução das tabelas astronômicas de Al-Khawarizmi e a Introdução a astronomia de Albumasar. Ele também trabalhou com Robert e Hughes de Santalla em um projeto de traduções do árabe intitulado Liber novem iudicum, com o objetivo de substituir a astrologia latina pela árabe.

O ocidente está em débito com Herman, não somente por seu trabalho em Corpus de Toledo e suas contribuições ao entendimento do ocidente sobre o islã, mas por seu trabalho em traduções científicas. O Renascimento deve muito a ele, particularmente a descoberta de cientistas árabes e através destes, alguns eruditos gregos.

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