Histórias de tradutores: Etienne Dolet

Conheça a história de Etienne Dolet, escritor, editor, tradutor. Condenado e jogado à fogueira como herege por disseminar livros proibidos e controversos.

Ter uma gráfica hoje em dia não é fácil: o papel não está mais na moda. Mas ter uma gráfica na Renascença era ainda mais difícil! Etienne Dolet poderia ter confirmado isso pois foi queimado durante a Inquisição no século XVI por fornecer serviços linguísticos e de tradução politicamente incorretos

OS PERIGOS DE UM FORTE PASSADO LITERÁRIO

Mas comecemos pelo início: Etienne Dolet nasceu em 1509 em uma família rica de Orleans. Ele recebeu uma intensa educação literária: estudou retórica com Nicolas Beraud em Paris; seguiu os ensinamentos do helenista Musurus e do humanista Simon Villanovanus em Pádua; foi instruído na eloquência de Giovanni Baptista Egnazio em Veneza; e, finalmente, estudou jurisprudência em Toulouse.

OS PERIGOS DE SER UM PENSADOR LIVRE

Ele começou a ser notado quando foi preso por ter incitado os estudantes a uma revolta. Expulso de Toulouse, partiu para Lyon. Lá acabou por se desentender com um pintor chamado Compaing e, ups, o matou. Obteve o perdão de François I, mas foi no entanto enviado para a prisão quando retornou a Lyon. Em 1538 recebeu a concessão para edição de livros por dez anos. Começou então a imprimir uma série de livros politicamente controversos, incluindo Gargantua de Rabelais e as obras de Marot, uma coleção de epigramas escritos contra os monges, juntamente com vários livros condenados por heresia.

OS PERIGOS DA TRADUÇÃO

Não foi todavia a sua atividade de editor ou de escritor polêmico, ora calvinista, ora ateu que o derrotou: foram os seus serviços como tradutor. Não se tratava de uma tradução financeira, ou de uma tradução comercial; foram apenas três pequenas palavras adicionadas ao discurso de Socrates, onde este disse: “E se tu morreres, [a morte] não será nada para ti, já que não serás mais.” Dolet acrescentou, “absolutamente nada mais”. Isto, para a Inquisição, obviamente representou uma negação blasfematória da imortalidade da alma.

OS PERIGOS DA INQUISIÇÃO

Dolet foi preso em 1542 pelo General Inquisidor Mathieu Orry, e mais tarde foi perdoado. Os seus concorrentes, no entanto, não o perdoaram. Eles mandaram dois grandes pacotes para Paris marcados com o seu nome e que continham livros impressos por ele e também livros heréticos impressos em Genebra. Dolet foi preso novamente, mas conseguiu escapar e fugir para o Piemonte. Em 1544 cometeu o insensato erro de voltar a França e foi imediatamente detido e posto atrás das grades.

Os perigos das fogueiras

Após um julgamento de dois anos, ele foi acusado por blasfêmia, incentivo à rebelião, e por disseminar livros proibidos e malditos. Ele foi condenado à fogueira o que acabou por se realizar em 3 de Agosto 1546. Para terminar com um epitáfio, eis o que Nicéron escreveu sobre ele:

Ele era indignado com tudo, extremamente amado por uns, furiosamente odiado por outros: enchia alguns com elogios, destruia outros sem piedade. Sempre a atacar, sempre a ser atacado. Um cientista além da sua época, trabalhador incansável, orgulhoso, desdenhoso, vingativo e inquieto.

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